Constantemente estou mudo, e me mudo diante de certas situações.
Não sei enfrentar problemas, não sei falar da vida, não sei entender gente comum. Também não sei me comportar dessa forma trivial, essa linha corriqueira que todos gostam de seguir. Essa vontade enorme de tentar ser o que todo mundo é. Isso morre a cada dia em mim. Usar um pouco de hipocrisia pra construir uma personalidade que se adapte melhor aos dias de hoje, já foi válido um dia; mas se corroer e se corromper de forma demasiada é muito pra mim. A hipocrisia é usada por todos, creio que não há um só ser nesse mundo que não tenha sido hipócrita pelo menos uma vez. O meu desespero é grande, mas não me humilho por hipocrisia alguma. Não tenho coragem de ficar tentando ser algo que nunca conseguirei ser. É tanto que meus lábios tremem quando tenho que fingir ser quem não sou. Nós devemos ser o que somos, e não o que querem que sejamos. Seja desprovido de elegância ou ordinário ao extremo, devemos mostrar o que somos, sem medo das bocas alheias. Ser simples, ser rápido e sem prolixidade nas palavras. Se o mundo fosse feito de pessoas simples, talvez hoje não teríamos esse alvoroço que é a vida. Ser simples nunca foi sinônimo de ser comum. Talvez nem seria tão vergonhoso chorar na frente das pessoas, ou fazer a coisa certa. Desde quando o errado nos convém? O desarranjo nunca foi obra prima. Agora a vida é assim, estamos presos na vontade de não ser.
Quem é simples, faz. Quem é comum, finge.