Metamórfico.

Constantemente estou mudo, e me mudo diante de certas situações.

Não sei enfrentar problemas, não sei falar da vida, não sei entender gente comum. Também não sei me comportar dessa forma trivial, essa linha corriqueira que todos gostam de seguir. Essa vontade enorme de tentar ser o que todo mundo é. Isso morre a cada dia em mim. Usar um pouco de hipocrisia pra construir uma personalidade que se adapte melhor aos dias de hoje, já foi válido um dia; mas se corroer e se corromper de forma demasiada é muito pra mim. A hipocrisia é usada por todos, creio que não há um só ser nesse mundo que não tenha sido hipócrita pelo menos uma vez. O meu desespero é grande, mas não me humilho por hipocrisia alguma. Não tenho coragem de ficar tentando ser algo que nunca conseguirei ser. É tanto que meus lábios tremem quando tenho que fingir ser quem não sou. Nós devemos ser o que somos, e não o que querem que sejamos. Seja desprovido de elegância ou ordinário ao extremo, devemos mostrar o que somos, sem medo das bocas alheias. Ser simples, ser rápido e sem prolixidade nas palavras. Se o mundo fosse feito de pessoas simples, talvez hoje não teríamos esse alvoroço que é a vida. Ser simples nunca foi sinônimo de ser comum. Talvez nem seria tão vergonhoso chorar na frente das pessoas, ou fazer a coisa certa. Desde quando o errado nos convém? O desarranjo nunca foi obra prima.  Agora a vida é assim, estamos presos na vontade de não ser.

Quem é simples, faz. Quem é comum, finge.

Amar

[Do lat. amare.] Transitivo ou Intransitivo. Amargo ou doce.

No Imperfeito ou no Perfeito do Indicativo, sempre triste.

E na esperança do Futuro do Subjuntivo, será quando a nossa vez?

Bendito Gerúndio! Maldito Platão! Cortou o elemento sexual e fez do platônico uma utopia de sentimentos. Não há realizações, só sonhos. Pode-se pensar, sonhar, viajar, mas nunca realizar o que é pretendido. Talvez Eros, o deus grego do amor possa resolver toda a situação. Mas não! Só sonhos. Perspectivas filosóficas impossíveis.

Seja em diferentes culturas, é sempre a mesma base essencial. Há sempre as mesmas frustrações e tristezas. A gente chega a crer, mas se entedia. Se esquece que não há mais privilégios em amar. Mas veja só! Mesmo calejados e acostumados com a dor, amamos de novo. Batemos na mesma tecla. Se possível 100 vezes.  Sabendo do fim, escrevemos a história de novo e de novo. Com pontuações em demasia. Cada vez mais sentimental, mais triste e mais íngreme. E assim aprendemos. Vamos de túnel em túnel procurando a pequena luz de amar. Só não vale desistir, porque a alma pede o amar. Então amamos. Seja artificial ou sobrenatural. Singelo ou escandaloso. Paradoxal ou direto. Direito! Sempre buscando perfeição, e falhando.

E assim somos, amamos, nos perdemos. Sempre na realização do Presente do Indicativo e na forma mais simples de viver com o clichê do “Eu Te Amo”.

Ideologia.

Não queremos nenhuma pra viver.

A gente cresce e morre sem a verdadeira verdade. Ou não. Aprendi que a verdadeira ideologia se encontra nos braços de quem te deu a vida. Teus progenitores? Não, não. Algo bem mais complexo que isso. Vejo nomes, prêmios nobéis, classificações, medalhas e mais medalhas, e ninguém chega a uma conclusão final. Ninguém dá o ponto final sobre de onde viemos e como devemos viver. Muito menos pra onde vamos. Mas olhe; eu sei a resposta! É, eu mesmo, um mero transeunte nas ruas da vida.  O arcabouço do ceticismo virou grande moda na juventude contemporânea. Mergulhamos num grande abismo de modas científicas. Se você acredita em um Deus, é tachado de idiota e conservador. -Pois somos. Pois sou. Conservadores de amor verdadeiro. Grandes conservadores da essência benévola e caritativa.  A mesma, sendo grande precursora de atividades maliciosas, não quer dizer que seja má. O mal vem do homem. O homem destrói essências. Destrói tudo ao seu redor. Inquisições, holocaustos, escravidões, guerras. Todas essas questões enfiadas no bolso de um só culpado: o homem. Esse sim, criou a grande lei da prepotência. Esse fez toda maldade aflorar-se. Fez a alma perecer. Fez a bondade cair sobre terra. E como em todos os casos, a grande arte de esquivar-se da culpa foi a solução.  Em suma, travou-se uma grande batalha; a batalha contra si mesmo. Contra o próprio ombro culpado. Contra a essência patriarcal. Viver no pensamento de que tudo é por acaso. Tudo enfiado na causa fictícia de que todos os atos estão subordinados à lei da probabilidade. Chamei-me de contingente e juntei-me aos primatas.  Arte hipócrita e darwinista. Vamos dançar sobre as teorias! Essa sim é a grande modalidade atual. Não é o fato de que um Deus não exista, mas sim um fato de que a moda impõe sobre nós a grande promessa de que o acaso é culpado de tudo. O acaso só é culpado da desculpa. Então, você também está nessa? Se estiver, passou da hora de rever seus conceitos. Pode soar clichê, mas é o clichê das grandes maravilhas.  A casualidade é mãe dos bastardos, dos espúrios e dos ilegítimos. E eu sou legítimo. Sou original por essência. Parece ser uma expressão muito errônea, mas é real e pura. Renova-se a cada dia. Cada palavra transformada em atos incríveis. Não há conservadorismo. Só há renovação. Há nova vida. Há novos horizontes. Não vejo o pelejamento das mudanças. Vejo agora o que realmente eu deveria ser. O cabresto foi retirado de mim. Tenho visão e crítica. Muito bem usadas, por sinal. Sou aberto à novas sugestões, mas sempre conservando a essência. Não sigo pela coerção das massas populares, mas sim pela força de agradecimento. Pela minha própria vontade de reciprocidade. Ser um degenerado alternado pela moda do não-crer é muito pouco pra mim. Sou filho da essência. Sou filho do amor. Sou muito mais que meras contas matemáticas e teorias do acaso. Lerei livros e livros, mas nada vai tirar de mim o grande amor. Resumindo palavras de Caetano Veloso: o que para você parece uma construção, pra mim  já é ruína. E continuará em ruínas.

“Deus continuará em seu completo e absoluto silêncio aos que procuram astúcia e sagacidade.”

Higor Alexandre :)

sem título.

Assassinando um coração selvagem.

Depois de arrancar-me o resto de paixão, percebi que o vida não só é crua e fria, como também muito cruel com quem ama demais. Abraços demais, sorrisos demais, aromatizantes demais. Tudo biodegradando na eterna futilidade de ser mais bonito ou mais feliz. O que é ser feliz? Ter dinheiro? Ter amigos? Ter amores? Ter, ter e ter. A felicidade se resume sempre em ter. Precisamos ter algo pra ser feliz. Agora procuremos ser felizes sem ter nada. O nada. Resuma o nada. Humberto Gessinger tem muita razão ao dizer que o “nada” é uma palavra esperando tradução. Eu espero traduções. Espero entender a legenda da vida. A minha legenda se encontra totalmente fora do vídeo. Enquanto a legenda diz “vá ser feliz”, o vídeo mostra cenas tristes de um mundo sem externos. Mergulhei-me ao nada. Sou um grande nada. Mas ainda vejo que pra muitos eu represento uma grande parte do tudo. Cabe em mim muitos adjetivos, mas o “nada”, apesar de caber-se como um adjetivo, não cai em mim como uma luva. Agora chamei-me de fardo. Sou um grande fardo pra mim mesmo. Uma cruz em minhas costas.

E intrépido agora sou eu. Impetuoso, denodado e muito impávido com quem ousa arriscar tirar de mim um coração apaixonado.

Me entenda.

Talvez Dallas Green me entenda. Talvez Thom Yorke me entenda. Talvez Almodóvar me entenda. Talvez ninguém me entenda. E se me entender, vai ser por partes. Regina Spektor me entendeu um pouco. Jeff Buckley me entendeu e me entorpeceu. John Lennon me entende ainda. Talvez me entender seja fácil. Mas ninguém entende. Aquele acorde em mi menor me entende. O que me falta é entender um pouco mais. Entender a vida, as pessoas, o existencialismo, os porquês. Talvez se eu passasse a entender, já seria entendido e atendido. Atender é pura questão de entendimento. Eu tento. Juro. É tanta coisa pra entender que acabo não entendendo. Mas um dia é fato de que vou entender. E você também vai entender. Assim como Hobbes me entendeu. Como Locke me entendeu. E como Rimbaud está entendendo. Grandes coisas da vida, né? Grandes nomes, grandes acontecimentos, grandes ocasiões. Se eu jogá-las fora, talvez eu entenda.

Enfim, entender é acreditar.

Os finalmentes.

“A gente se encontra um dia.” Eis a grande frase que guardei pra mim. A gente vive tanta coisa, compartilha tanta coisa, e no final só nos resta aquele resquício frio de felicidade. E não está bom? Claro, claro que está. Até o mínimo de felicidade que vivi vale muito! Vale por uma vida inteira. E agora? Bem, agora o jeito é se entregar ao tempo e deixar que ele apague qualquer pensamento. E vamos escrever! Tanta tristeza tem que servir pra alguma coisa. Lágrima também serve! Pegue-a e encha um balde. E chute o balde! É, grande expressão de quem quer largar tudo e sair correndo sem qualquer direção ou objetivo. Aqui jaz um grande momento de fúria misturado com amor. Um grande arsenal de palavras jogadas ao vento, sem qualquer tipo de coerção. Para quê haver coerção, se nada mais faz sentido? É, tudo chamado de um grande exagero. Talvez seja mesmo. Mas esse grande exagero está mergulhado numa piscina de sinceridade. É uma pena. Finalmente eu digo que é uma pena mesmo. A gente escorrega mais um defeito, daí é só lamentar. Perdão? Que nada, está perdoado. Deixa ser superficial. Não leve tão à sério. Para quê sinceridade no amor? Bobagem. Deixa ser artificial. Agora é assim. Todo mundo um dia aprende. Você aprende, eu aprendo. Pegue, vá, se entregue, mas não se use totalmente. Apenas entregue aquele pedacinho que você entregaria a qualquer um. Seja assim. Nunca fui assim. Queria ser assim. E aquele sorriso no rosto? Tão frio e tão louco. Achei diferente de tudo o que já vi. Sorrir assim numa hora tão séria, é realmente para poucos. Então vamos sorrir também! Coloque para fora mesmo que não esteja sentido. Sorria sem estar feliz. Sorria por pura falsidade. Porque demonstrar estar triste e arrependido não adianta de nada. Deixa fuder então. Deixa pra lá. Tente esquecer. Mas será uma grande cicatriz marcada no alto do teu peito pelo resto da vida. Ninguém entende. Ninguém vê. E ninguém sente por você.
Está me entendo? Não? Pois é, não é mesmo pra entender.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional…

Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional….

Carlos Drummond de Andrade

Inveja Amorosa.

Pois é, ainda vivo pensando em algo pra escrever por aqui. Não tenho vivido nada de excitante.
Mas andei pensando em coisas que nunca tinha pensado antes. Fiquei me imaginando com outra pessoa e realmente cheguei “novamente” a conclusão de que morrerei sozinho. rs.

Sinto muita inveja de quem consegue gostar de outra pessoa e valorizar o que tem com a mesma.
Eu gosto de muitas pessoas, mas não consigo sentir palpitações no coração e nem brilho nos olhos. Aquela “coisa” em que o corpo fica angustiado e o nervosismo toma conta.

A vida pra mim é atribulada demais. Tenho tanta coisa pra pensar, tanta matéria pra estudar, e realmente não sobra tempo pra conseguir me apegar a alguém.

Agora, eu não sei se isso é uma desvantagem ou um privilégio, porque geralmente o que vejo em relacionamentos, não se passa de algo momentâneo, que depois vira uma troca de farpas e tristezas. Creio que devo segurar as pontas e acreditar no dia em que encontrarei alguém que me faça sentir os “famosos” frios na barriga.

Enfim…

Bom senso.

É, essa semana estive refletindo em algumas coisas, e cheguei a conclusão que tenho aturado muita coisa que não devo aturar. Eu sempre fui o tipo de cara que só é educado com quem é educado comigo, mas depois de um tempo eu fiquei bonzinho de mais, e fui aprendendo a saber levar as pessoas de qualquer jeito.

Mesmo assim, apesar de tudo, eu ainda consigo conviver bem com todo mundo, mesmo não fazendo questão de todo mundo estar de bem comigo. Já fiquei sem conversar com muito amigos, e não tive o mínimo grau de humildade pra ir nele pedir desculpas. Mas depois de um tempo, a gente vai aprendendo que isso faz bem pro próprio ego. Eu aprendi a dar valor a quem merece, além de “perceber” quem merece.  Mas vamos pensar bem e rever nossos conceitos, se for pra pensar bem, NINGUÉM merece um sequer pingo de atenção. 

Espero que esse ano seja menos amigável que o ano passado, eu quero um pouco de ação na minha vida. Chega de café, violão e música. Quero algo mais radical (q). Não que eu queira que alguém morra ou que o meu prédio desabe, mas queria algo mais hot. Acho que é compreensível.  :)

Enfim,

Nunca se deixe abalar pelo simples fato de ter demonstrado seus sentimentos para quem nunca soube aproveitá-los, o que importa é que você soube assumí-los sem medo, e essa pessoa que não aproveitou verá o quanto perdeu… Eu não sou adepto a namoros e afins, mas confesso que tenho uma enorme vontade de encontrar alguém que complete o meu outro “eu”.

É chato quando o destino insiste em te deixar sozinho. Mas na verdade eu sempre encontro algo que me deixe feliz. Não preciso de amores platônicos e nem amores duradouros pra ser feliz. Ouço muita gente dizer que se apaixona quase todos os dias, e eu confesso que nunca fui assim, e de fato,  nem pretendo ser. O ser humano nem sempre precisa de outra pessoa pra se completar.

Aos poucos, estou entendendo o sentido de uma amizade, mas ainda não encontrei alguém que me encante em todos os aspectos. Não sei se vou morrer solteiro, mas só sei que por enquanto eu vou curtir a vida do jeito que eu acho que ela deve ser “curtida”. 

Eu sei que é difícil sorrir com vontade de jogar teu coração no lixo, mas por enquanto eu pretendo continuar com minhas barreiras anti-platônicas. :)

A questão é que saibamos combater essa medonha tendência com muito senso moral! Viva o bom da vida. Bjs ;*